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Domingo, 13 de Dezembro de 2015
Momento de Poesia

 

Solidariedade

 

Irmão.

Se caíste e a tua queda te levou a comer o pó,

Se procuras-te com teus olhos outros olhos

E ficas-te, como sempre, vazio e só;

Se naufragas-te lutando sem outra intenção,

Senão a de salvares os que vegetam na podridão,

Murmura comigo uma oração

E não chores, nem te envergonhes

Porque não serão as grades de uma cela

A desfazer a nossa fraterna união.

Embora fracassado, vencido, desiludido.

Luta, luta sempre até seres vencedor!

Eu e tu de mãos dadas com amor

Iremos sempre mais além,

Até as forças nos obedecerem.

À nossa volta, muitos rirão,

Mas que importa

Quando os nossos corpos de humano nada tiveram.

Talvez os tais que apregoavam de porta em porta

A nossa loucura...

Talvez então nos dêm razão.

 

Regresso ao Lar

 

Ai, há quantos anos que eu parti chorando

deste meu saudoso, carinhoso lar!...

Foi há vinte?... Há trinta?... Nem eu sei já quando!...

Minha velha ama, que me estás fitando,

canta-me cantigas para me eu lembrar!...

 

Dei a volta ao mundo, dei a volta à vida...

Só achei enganos, decepções, pesar...

Oh, a ingénua alma tão desiludida!...

Minha velha ama, com a voz dorida.

canta-me cantigas de me adormentar!...

 

Trago de amargura o coração desfeito...

Vê que fundas mágoas no embaciado olhar!

Nunca eu saíra do meu ninho estreito!...

Minha velha ama, que me deste o peito,

canta-me cantigas para me embalar!...

 

Pôs-me Deus outrora no frouxel do ninho

pedrarias de astros, gemas de luar...

Tudo me roubaram, vê, pelo caminho!...

Minha velha ama, sou um pobrezinho...

Canta-me cantigas de fazer chorar!...

 

Como antigamente, no regaço amado

(Venho morto, morto!...), deixa-me deitar!

Ai o teu menino como está mudado!

Minha velha ama, como está mudado!

Canta-lhe cantigas de dormir, sonhar!...

 

Canta-me cantigas manso, muito manso...

tristes, muito tristes, como à noite o mar...

Canta-me cantigas para ver se alcanço

que a minha alma durma, tenha paz, descanso,

quando a morte, em breve, ma vier buscar!

 

Guerra Junqueiro, in 'Os Simples'

 

 

 

publicado por Alegria às 20:44
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