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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2015
Momento de Poesia

Adoração

 

Eu não te tenho amor simplesmente. A paixão

Em mim não é amor; filha, é adoração!

Nem se fala em voz baixa à imagem que se adora.

Quando da minha noite eu te contemplo, aurora,

E, estrela da manhã, um beijo teu perpassa

Em meus lábios, oh! quando essa infinita graça

do teu piedoso olhar me inunda, nesse instante

Eu sinto – virgem linda, inefável, radiante,

Envolta num clarão balsâmico da lua,

A minh'alma ajoelha, trémula, aos pés da tua!

Adoro-te!... Não és só graciosa, és bondosa:

Além de bela és santa; além de estrela és rosa.

Bendito seja o deus, bendita a Providência

Que deu o lírio ao monte e à tua alma a inocência,

O deus que te criou, anjo, para eu te amar,

E fez do mesmo azul o céu e o teu olhar!...

 

Guerra Junqueiro, in 'Poesias Dispersas'

 

Evolução

 Arde o corpo do sol, brotam feixes de luz:

O que é a luz?

Sol que morreu.

 Dardeja a luz, dardeja e pulveriza a fraga:

Vai nesse pó, que há-de ser terra,

A luz extinta.

 Gerou a terra a seara verde:

Hastes e folhas da seara verde

Comeram terra.

 A seara é grada, o trigo é loiro:

Deu trigo loiro,

Morrendo ela.

 O trigo é pão, é carne e é sangue:

Sangue vermelho, carne vermelha,

Trigo defunto.

 Em carne e em sangue, eis o desejo:

Vive o desejo,

De carne morta.

 Arde o desejo, eis o pecado:

Que são pecados?

Desejos mortos.

 Queima o pecado o pecador:

Nasceu a dor; findou na dor

Pecado e morte.

 A alma branca, iluminada,

Transfigurada pela dor,

Essa não vai à sepultura

Porque é já Deus na criatura,

Porque é o Espírito, é o Amor.

 Na vida vã da terra sepulcral

Só o amor é infinito e só ele é imortal.

 Morreu a luz, pulverizando a fraga,

Morreu a poeira, alimentando a seara;

Morreu a seara, que gerou o trigo;

Morreu o trigo, que deu vida à carne;

Morreu a carne, que nutriu desejo;

Morreu desejo, que se fez pecado;

Morreu pecado, que floriu em dor;

Morreu a dor, para nascer o Amor!

 E só o Amor na vida sepulcral

É infinito e é imortal!

 

Guerra Junqueiro, in 'Poesias Dispersas'

 

publicado por Alegria às 19:01
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