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Sexta-feira, 12 de Junho de 2015
Lendas da nossa terra

Lendas da Nossa Terra

 

A Senhora da Gaiola

A entrada de exércitos invasores num país traz consigo a depradação, o latrocinar mais violento. No caso da invasão dos mouros na Lusitânia terá sido muito pior, não só pelo roubo à mão armada, como pela incompatibilidade religiosa. Daí que em algumas terras de cristãos, os habitantes se vissem forçados a esconderem nos lugares mais recônditos da sanha dos infiéis as imagens que lhes eram mais queridas.

Foi o que sucedeu, segundo reza a lenda ou a tradição, com a imagem de Nossa Senhora, ali nas Cortes, a uma curta légua a sul de Leiria.

Um dia, em mui recuados tempos, uns pastores internaram-se, com seus rebanhos, mato a dentro, na direcção do sul, sempre mais e mais dentro de densas brenhas. E heis se não quando topam com uma linda imagem da Virgem Mãe de Jesus, iriante, encastoada num tronco de árvore.

Os pastores ajoelharam reverentemente e logo construíram uma cabana de ramos de árvores e mato para a entronizarem, cabana essa que mais parecia uma gaiola.

A notícia correu célere e trouxe à pequena choça as gentes das vizinhanças e, depois, a de lugares mais distantes, que à Santa Imagem começaram a chamar a Senhora da Gaiola, como ainda hoje é conhecida, venerada e festejada e já considerada Padroeira da freguesia das Cortes.

 

OS OLHOS DE ÁGUA DA CARANGUEJEIRA

Era uma vez ... andava um lavrador agarrado à rabiça do seu arado lavrando a terra que lhe havia de dar o pão. Ele era um bom homem, trabalhador , honrado e muito temente a Deus. Dia de sol tórrido que tudo abrasava e secava a língua das gentes e dos animais.

Os bois, puxando o arado numa andadura pachorrenta, estavam sedentos pois a lavra já se prolongava por várias horas. Para os dessedentar o lavrador, sequioso também, levou os bois a um charco que lá havia perto e já com pouca água, por a nascente haver secado.

Tanta era a sede e a pressa de a mitigar que o lavrador não desaparelhou o gado, e os bois na impaciência da sua secura, avançaram mais e mais, pelo charco até que, às tantas, perdendo o pé, começaram a desaparecer nas areias movediças.

O bom lavrador, impotente na sua infelicidade, nada podendo fazer para valer aos seus bois, que eram a sua riqueza, implorou a graça divina.

Mas tudo foi em vão. Os bois e o arado desapareceram sem deixar rasto.

Mais empobrecido de bens, mas mais rico de coragem, o lavrador empunha a enxada e com ela revolve a terra que já não pode arar.

Porém, alguns dias depois, não muitos, com estrema surpresa do lavrador, os bois, ainda aparelhados no seu arado, emergem de um outro charco, também de pouca água e não muito distante daquele.

Na sua passagem pelo interior da terra os bois desentupiram as nascentes dos dois charcos que, a partir daí, se transformaram em “Dois Olhos de Água”.

O povo da terra deu a um o nome de “Olho do Vale Sobreiro” e ao outro “Olho da Fonte”. E os charcos nunca mais secaram.

 

publicado por Alegria às 21:26
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