Contador de Visitas
Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2015
Lendas da nossa terra

Foto Burro com lenha.jpg

 

O morto que falou

 

Conta a lenda que certa vez, ao fundo do sítio chamado Reboludo,

em Pampilhosa da Serra, estava um homem a cortar uma pernada

de um castanheiro. Porém, em vez de se sentar onde devia,

empoleirou-se, isso sim, na parte que havia de cair.

E serrava, serrava. A dada altura, passou por alí um almocreve

que se dirigia para Fajão. Viu o que estava para acontecer e logo se

dirigiu ao serrador:

- Boa tarde, o senhor vai desculpar-me, mas está sentado na parte

da pernada que vai cair ao chão...

O serrador, olhou-o irritado, e respondeu-lhe:

- Olhe lá, meta-se na sua vida! Eu sei muito bem o que estou a fazer!

Irritado, com a má recepção da sua sensata observação, o almocreve

ripostou:

- Ai! ele é isso? Pois passe muito bem!

E foi-se embora. Naturalmente, o serrador, acabou de cortar a pernada

e veio por ali abaixo, dando com o corpo no chão. E pensou que,

se o outro advinhara, o que se iria passar, deveria ser santo.

Largou então a correr atrás do almocreve, apanhando-o à entrada de uma ponte.

- Ouça lá, bom amigo, já que adivinhou tudo também, diga-me lá

quando é que vou morrer.

- Bem, - respondeu o almocreve, admirado de tanta ingenuidade

- o senhor carregue o seu burro de madeira e vá andando com ele até Fajão.

Quando ele der o terceiro traque, o senhor morre!

O homem serrou mais madeira, carregou o burro e lá foi conduzindo a

caminho de Fajão. Daí a nada, o burro, experimentzndo uma passada

sobre umas pedras soltas, deu um traque.

- Mau - exclamou o homem. - O primeiro já saiu!

Não tardou que o burro, de novo em apuros devido ao carrego, lá deixou

escapar outro.- Oh, diabo! Isto agora é a sério! Já só me falta um!

Tewho de tomar providências! O homem agarrou um bocado de cortiça

fez uma rolha e meteu-a no rabo do burro. Conseguiria suster o terceiro traque?

Porém ao entrar na calçada do Reboludo, o burro, aflito, largou gás e o rolha e

a rolha foi bater na testa do homem, que abriu os braços e deixou-se cair,

considerando-se morto.

As gentes de Fajão, vendo o burro chegar à aldeia, foram procurar o dono e

encontraram-no estendido.

O barbeiro verificou o óbito. Meteram o corpo num caixão e quiseram fazer-lhe o funeral.

Iam em cortejo, já com orações e cantilenas, quando chegaram ao sítio das Almas,

onde o caminho se bifurca; um atravessa a aldeia, e o outro vai direito ao cemitério.

Discutiram o itinerário, a ponto de alguém dizer, que fosse o morto a decidir.

Então, o homem sentou-se no esquife e disse:

- Quando eu era vivo, costumava ir por alí, agora que estou morto,vão lá vocês.

E tornou a deitar-se. E os do funeral levaram-no por onde entenderam que ele disse que

ia em vida.

 

publicado por Alegria às 18:33
link do post | comentar | favorito
|
.mais sobre mim
.pesquisar
 
.Maio 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
.posts recentes

. Album de Sabedoria

. Album de Sabedoria

. Provéfbios e adivinhas

. Provéfbios e adivinhas

. Proverbios e Adivinhas

. Provérbios e Adivinhas

. Album de Sabedoria

. Album da Sabedoria

. Album da sabedoria

. Album de Sabedoria

.arquivos

. Maio 2017

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

.favoritos

. Momento de Poesia

.links
contador de visitas gratis
Contador de Visitas
blogs SAPO
.subscrever feeds