Contador de Visitas
Sábado, 21 de Novembro de 2015
Momento de Poesia

Esperança

 

A beira da praia eu pensava.

Em tudo que me faz cantar

O céu, o mar e o sonho de um dia

no céu com o senhor estar.

Mas espero que esse dia.

Não tarde muito a chegar.

Quero dar toda a alegria.

A esse pai que me ensinou a amar.

Quero mostrar lhe assim.

O quanto respeito e o amo.

Tê-lo um dia junto a mim.

Só isso da vida espero...

 

Se me esqueceres

 

Se Me Esqueceres

Quero que saibas

uma coisa.

Sabes como é:

se olho

a lua de cristal, o ramo vermelho

do lento outono à minha janela,

se toco

junto do lume

a impalpável cinza

ou o enrugado corpo da lenha,

tudo me leva para ti,

como se tudo o que existe,

aromas, luz, metais,

fosse pequenos barcos que navegam

até às tuas ilhas que me esperam.

 

Mas agora,

se pouco a pouco me deixas de amar

deixarei de te amar pouco a pouco.

Se de súbito

me esqueceres

não me procures,

porque já te terei esquecido.

Se julgas que é vasto e louco

o vento de bandeiras

que passa pela minha vida

e te resolves

a deixar-me na margem

do coração em que tenho raízes,

pensa

que nesse dia,

a essa hora

levantarei os braços

e as minhas raízes sairão

em busca de outra terra.

Porém

se todos os dias,

a toda a hora,

te sentes destinada a mim

com doçura implacável,

se todos os dias uma flor

uma flor te sobe aos lábios à minha procura,

ai meu amor, ai minha amada,

em mim todo esse fogo se repete,

em mim nada se apaga nem se esquece,

o meu amor alimenta-se do teu amor,

e enquanto viveres estará nos teus braços

sem sair dos meus.

 

Pablo Neruda, in "Poemas de Amor de Pablo Neruda"

 

 

 

 

publicado por Alegria às 20:44
link do post | comentar | favorito
|
Terça-feira, 17 de Novembro de 2015
Momento de Poesia

 

 

O VINHO

 

Que frio está esta noite

vou á adega buscar vinho

que tristeza que senti

quando lá cheguei e vi

que o tunel estava vazio.

 

Mas eu não desanimei

e ao meu vizinho falei

desta minha condição

tenha pena meu vizinho

pois acabou-se o meu vinho

veja a minha provação.

 

Beber vinho dá saude

lá diz o velho ditado

eu bebo para esquecer

o meu fado mal fadado.

 

Não tenho pão pra comer

etá na terra semeado

quero vinho pra beber

para o meu pão ser ceifado.

 

Já as uvas são maduras

e lá vão para o lagar

já lá vão as amarguras

muito alegre e a cantar,

com amor as vou pisar.

 

Para de novo encher

o tunel que está vazio

e com ele me aquecer

nas longas noites de frio.

 

A uns ele faz feliz

a outros nem tanto assim

que se queixe quem o bebe

porque eu falo por mim.

 

Eu gosto de beber vinho

e também dar a beber

seja quem for o amigo

que de mim o venha a ser.

 

Natalina Marques

 

Outono

 

Hoje é Novembro, tempo de chuva , tempo de Outono, tempo do tempo em que me lembra o S. Martinho, as castanhas, a água-pé e em que o ditado popular dizia: - Pelo S. Martinho, vai à adega, fura o pipinho e prova o teu vinho... belos tempos esses em que, todos esses saberes eram verdade.

Hoje já não se lembram esses ditados populares, nem tão pouco o Outono é como o era nesse tempo em que eu era criança. Mas o Outono é sempre Outono e, as folhas continuam a cair das árvores cansadas e com a idade a pesar-lhe no tronco cheio de buracos onde por vezes os passarinhos têm o seu abrigo.

É assim o Outono das nossas vidas também.

 

 

publicado por Alegria às 19:05
link do post | comentar | favorito
|
Domingo, 15 de Novembro de 2015
Momento de Poesia

   A Neve                                                                   

 

Batem leve levemente                                                

Como quem chama por mim                                        

Será chuva? Será gente?                                            

Gente não é certamente                                            

E a chuva não bate assim                                               

 

É talvez a ventania;                                                

Mas há pouco, poucochinho,                                     

Nem uma agulha bulia                                              

Na quieta melancolia                                              

Dos pinheiros do caminho.                                    

 

Quem bate assim levemente                                  

Com tão estranha leveza,                                        

Que mal se ouve, mal se sente?                               

Não é chuva, nem é gente,                                  

Nem é vento, com certeza.                                  

                

Fui ver. A neve caía                                            

Do azul cinzento do Céu,                                

Branca e leve, branca e fria…                              

Há quanto tempo a não via!                                

E que saudade, Deus meu!                                          

                                                                           

Olho-a através da vidraça.                        

Pôs tudo da cor do linho.                                    

Passa gente e, quando passa,                              

Os passos imprime traça,                                   

Na brancura do caminho…                                

                                                                        

Fico olhando esses sinais                                

Da pobre gente que avança,

E noto, por entre os demais,

Os traços miniaturais                                          

De uns pezitos de criança…

 

E descalcinhos, doridos…

A neve deixa ainda vê-los,

Primeiro bem definidos,

…Depois em sulcos compridos,

Porque não podia erguê-los!...

 

Quem quem já é pecador

Sofra tormentos… enfim!

Mas as crianças, Senhor

Porque lhes dais tanta dor?!...

Porque padecem assim?!

 

E uma infinita tristeza,

Uma funda turbação

Entra em mim e fica em mim presa.

Cai a neve na natureza…

…E cai neve no meu coração.

 

 Augusto Gil

 

              Ser Soldado

 

       Batem leve levemente

       Na janela da caserna

Será chuva, será gente

Ou será o nosso Sargento

Que me anda na perna.

   Ah! Que bom este sonhar

Com o vento a embalar

E o luar de Janeiro

Na minha cama dormente

Agarrado ao travesseiro.

   Mas…aí vem o temporal

Ribomba o trovão lá fora

E eu sinto um empurrão tal

Que abro o olho direito

E disfarço com muito jeito.

   É o Sargento de Dia

Que sempre teve a mania

De me vir tirar do leito

E dizer com grande lata:

É malandro, está na hora

De descascar a batata.

   Triste vida a de um soldado

Mal fadado,

A quem não guardam respeito

Mesmo que tenha direito

De ser alérgico à batata.

 

 

     João Rodrigues - 1967

 

publicado por Alegria às 21:18
link do post | comentar | favorito
|
Quinta-feira, 12 de Novembro de 2015
Momento de Poesia

Adoração

 

Eu não te tenho amor simplesmente. A paixão

Em mim não é amor; filha, é adoração!

Nem se fala em voz baixa à imagem que se adora.

Quando da minha noite eu te contemplo, aurora,

E, estrela da manhã, um beijo teu perpassa

Em meus lábios, oh! quando essa infinita graça

do teu piedoso olhar me inunda, nesse instante

Eu sinto – virgem linda, inefável, radiante,

Envolta num clarão balsâmico da lua,

A minh'alma ajoelha, trémula, aos pés da tua!

Adoro-te!... Não és só graciosa, és bondosa:

Além de bela és santa; além de estrela és rosa.

Bendito seja o deus, bendita a Providência

Que deu o lírio ao monte e à tua alma a inocência,

O deus que te criou, anjo, para eu te amar,

E fez do mesmo azul o céu e o teu olhar!...

 

Guerra Junqueiro, in 'Poesias Dispersas'

 

Evolução

 Arde o corpo do sol, brotam feixes de luz:

O que é a luz?

Sol que morreu.

 Dardeja a luz, dardeja e pulveriza a fraga:

Vai nesse pó, que há-de ser terra,

A luz extinta.

 Gerou a terra a seara verde:

Hastes e folhas da seara verde

Comeram terra.

 A seara é grada, o trigo é loiro:

Deu trigo loiro,

Morrendo ela.

 O trigo é pão, é carne e é sangue:

Sangue vermelho, carne vermelha,

Trigo defunto.

 Em carne e em sangue, eis o desejo:

Vive o desejo,

De carne morta.

 Arde o desejo, eis o pecado:

Que são pecados?

Desejos mortos.

 Queima o pecado o pecador:

Nasceu a dor; findou na dor

Pecado e morte.

 A alma branca, iluminada,

Transfigurada pela dor,

Essa não vai à sepultura

Porque é já Deus na criatura,

Porque é o Espírito, é o Amor.

 Na vida vã da terra sepulcral

Só o amor é infinito e só ele é imortal.

 Morreu a luz, pulverizando a fraga,

Morreu a poeira, alimentando a seara;

Morreu a seara, que gerou o trigo;

Morreu o trigo, que deu vida à carne;

Morreu a carne, que nutriu desejo;

Morreu desejo, que se fez pecado;

Morreu pecado, que floriu em dor;

Morreu a dor, para nascer o Amor!

 E só o Amor na vida sepulcral

É infinito e é imortal!

 

Guerra Junqueiro, in 'Poesias Dispersas'

 

publicado por Alegria às 19:01
link do post | comentar | favorito
|
.mais sobre mim
.pesquisar
 
.Maio 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
.posts recentes

. Album de Sabedoria

. Album de Sabedoria

. Provéfbios e adivinhas

. Provéfbios e adivinhas

. Proverbios e Adivinhas

. Provérbios e Adivinhas

. Album de Sabedoria

. Album da Sabedoria

. Album da sabedoria

. Album de Sabedoria

.arquivos

. Maio 2017

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

.favoritos

. Momento de Poesia

.links
contador de visitas gratis
Contador de Visitas
blogs SAPO
.subscrever feeds