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Quarta-feira, 22 de Julho de 2015
Momento de Poesia

 

 

O Leão e o Porco

 

O rei dos animais, o rugidor leão,

Com o porco engraçou, não sei por que razão.

Quis empregá-lo bem para tirar-lhe a sorna

(A quem torpe nasceu nenhum enfeite adorna):

Deu-lhe alta dignidade, e rendas competentes,

Poder de despachar os brutos pretendentes,

De reprimir os maus, fazer aos bons justiça,

E assim cuidou vencer-lhe a natural preguiça;

Mas em vão, porque o porco é bom só para assar,

E a sua ocupação dormir, comer, fossar.

Notando-lhe a ignorância, o desmazelo, a incúria,

Soltavam contra ele injúria sobre injúria

Os outros animais, dizendo-lhe com ira:

«Ora o que o berço dá, somente a cova o tira!»

E ele, apenas grunhindo a vilipêndios tais,

Ficava muito enxuto. Atenção nisto, ó pais!

Dos filhos para o génio olhai com madureza;

Não há poder algum que mude a natureza:

Um porco há-de ser porco, inda que o rei dos bichos

O faça cortesão pelos seus vãos caprichos.

 Bocage, in 'Fábulas'

 

Se Tu Viesses Ver-me...

 

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,

A essa hora dos mágicos cansaços,

Quando a noite de manso se avizinha,

E me prendesses toda nos teus braços...

 

Quando me lembra: esse sabor que tinha

A tua boca... o eco dos teus passos...

O teu riso de fonte... os teus abraços...

Os teus beijos... a tua mão na minha...

 

Se tu viesses quando, linda e louca,

Traça as linhas dulcíssimas dum beijo

E é de seda vermelha e canta e ri

 

E é como um cravo ao sol a minha boca...

Quando os olhos se me cerram de desejo...

E os meus braços se estendem para ti...

 

Florbela Espanca, in "Charneca em Flor

 

publicado por Alegria às 23:09
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Momento de Poesia

FELICIDADE

Felicidade não tem peso, nem tem medida, não pode ser comprada, não se empresta, não se toma emprestada, não resiste a cálculos, porque não é material, nos padrões materiais do nosso mundo. Só pode ser legítima. Felicidade falsa não é felicidade, é ilusão. Mas, se eu soubesse fazer contas na medida do bem, diria que a felicidade pode ter tamanho, pode ser grande, pequena, cabendo nas conchas da mão, ou ser do tamanhão do mundo. Felicidade é sabedoria, esperança, vontade de ir, vontade de ficar, presente, passado, futuro. Felicidade é confiança: fé e crença, trabalho e ação. Não se pode ter pressa de ser feliz, porque a felicidade vem devagarinho, como quem não quer nada. Ser feliz não depende de dinheiro, não depende de saúde, nem de poder. Felicidade não é fruto da ostentação, nem do luxo. Felicidade é desprendimento, não é ambição. Só é feliz quem sabe suportar, perder, sofrer e perdoar. Só é feliz quem sabe, sobretudo, amar.

 

 

 Portugal

 Maior do que nós, simples mortais, este gigante

foi da glória dum povo o semideus radiante.

Cavaleiro e pastor, lavrador e soldado,

seu torrão dilatou, inóspito montado,

numa pátria... E que pátria! A mais formosa e linda

que ondas do mar e luz do luar viram ainda!

Campos claros de milho moço e trigo loiro;

hortas a rir; vergéis noivando em frutos de oiro;

trilos de rouxinóis; revoadas de andorinhas;

nos vinhedos, pombais: nos montes, ermidinhas;

gados nédios; colinas brancas olorosas;

cheiro de sol, cheiro de mel, cheiro de rosas;

selvas fundas, nevados píncaros, outeiros

de olivais; por nogais, frautas de pegureiros;

rios, noras gemendo, azenhas nas levadas;

eiras de sonho, grutas de génios e de fadas:

riso, abundância, amor, concórdia, Juventude:

e entre a harmonia virgiliana um povo rude,

um povo montanhês e heróico à beira-mar,

sob a graça de Deus a cantar e a lavrar!

Pátria feita lavrando e batalhando: aldeias

conchegadinhas sempre ao torreão de ameias.

Cada vila um castelo. As cidades defesas

por muralhas, bastiões, barbacãs, fortalezas;

e, a dar fé, a dar vigor, a dar o alento,

grimpas de catedrais, zimbórios de convento,

campanários de igreja humilde, erguendo à luz,

num abraço infinito, os dois braços da cruz!

E ele, o herói imortal duma empresa tamanha,

publicado por Alegria às 22:46
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Quinta-feira, 16 de Julho de 2015
Lendas da nossa terra

Lenda dos Távoras

 

A tradição diz que os irmãos D. Tedo e D. Rausendo, os

protagonistas desta lenda, que se terá passado em 1037, eram descendentes

de Ramiro II de Leão. Os corajosos irmãos já há

muito tempo tentavam tomar o castelo de Paredes da Beira que estava na posse

do emir mouro de Lamego, sem qualquer sucesso. Mas um dia, esgotados todos os

outros recursos, D. Tedo e D. Rausendo decidiram usar a astúcia para

conseguirem apoderar-se da fortaleza. Numa manhã do dia de S. João

em que os mouros saíam habitualmente do castelo para se banharem nas

águas do Távora, os dois irmãos e o seu exército

disfarçados de mouros prepararam uma emboscada e entraram no castelo,

matando a maior parte mouros que lá tinham ficado. Avisados por alguns

mouros que tinham conseguido fugir do assalto, os mouros que festejavam no rio

prepararam-se para voltar ao castelo quando foram atacados no rio por D. Tedo

e os seus guerreiros que os dizimaram a todos. O vale do rio onde se travou

a sangrenta luta ficou a ser chamado por Vale D'Amil em lembrança dos

mouros que tinham sido mortos aos mil. A lenda diz que os dois irmãos

tomaram a partir da batalha o apelido de Távora, em memória do

rio onde se tinha desenrolado a vitória, e adoptaram nas suas armas um

golfinho sobre as ondas simbolizando D. Tedo que com o seu cavalo tinha vencido

os Mouros nas águas do rio.

publicado por Alegria às 22:44
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Momento de Poesia

 

Ser Soldado

 

       Batem leve levemente

       Na janela da caserna

Será chuva, será gente

Ou será o nosso Sargento

Que me anda na perna.

   Ah! Que bom este sonhar

Com o vento a embalar

E o luar de Janeiro

Na minha cama dormente

Agarrado ao travesseiro.

   Mas…aí vem o temporal

Ribomba o trovão lá fora

E eu sinto um empurrão tal

Que abro o olho direito

E disfarço com muito jeito.

   É o Sargento de Dia

Que sempre teve a mania

De me vir tirar do leito

E dizer com grande lata:

É malandro, está na hora

De descascar a batata.

   Triste vida a de um soldado

Mal fadado,

A quem não guardam respeito

Mesmo que tenha direito

De ser alérgico à batata.

             João Rodrigues - 1967

 

Vaidade, Tudo Vaidade!

 

Vaidade, meu amor, tudo vaidade!

Ouve: quando eu, um dia, for alguem,

Tuas amigas ter-te-ão amizade,

(Se isso é amizade) mais do que, hoje, têm.

 

Vaidade é o luxo, a gloria, a caridade,

Tudo vaidade! E, se pensares bem,

Verás, perdoa-me esta crueldade,

Que é uma vaidade o amor de tua mãe...

 

Vaidade! Um dia, foi-se-me a Fortuna

E eu vi-me só no mar com minha escuna,

E ninguem me valeu na tempestade!

 

Hoje, já voltam com seu ar composto,

Mas eu, ve lá! eu volto-lhes o rosto...

E isto em mim não será uma vaidade?

 

António Nobre, in 'Só'

 

 

publicado por Alegria às 22:37
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