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Segunda-feira, 29 de Junho de 2015
Momento de Poesia

Nascemos para Amar

 

Nascemos para amar; a Humanidade

Vai, tarde ou cedo, aos laços da ternura.

Tu és doce atractivo, ó Formosura,

Que encanta, que seduz, que persuade.

 

Enleia-se por gosto a liberdade;

E depois que a paixão na alma se apura,

Alguns então lhe chamam desventura,

Chamam-lhe alguns então felicidade.

 

Qual se abisma nas lôbregas tristezas,

Qual em suaves júbilos discorre,

Com esperanças mil na ideia acesas.

 

Amor ou desfalece, ou pára, ou corre:

E, segundo as diversas naturezas,

Um porfia, este esquece, aquele morre.

 

Bocage, in 'Sonetos'

publicado por Alegria às 22:46
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Domingo, 28 de Junho de 2015
Momento de Poesia

À Luz da Lua!

 

Íamos sós pela floresta amiga,

Onde em perfumes o luar se evola,

Olhando os céus, modesta rapariga!

Como as crianças ao sair da escola.

 

Em teus olhos dormentes de fadiga,

Meio cerrados como o olhar da rola,

Eu ia lendo essa balada antiga

D'uns noivos mortos ao cingir da estola...

 

A Lua-a-Branca, que é tua avozinha,

Cobria com os seus os teus cabelos

E dava-te um aspeto de velhinha!

 

Que linda eras, o luar que o diga!

E eu compondo estes versos, tu a lelos,

E ambos cismando na floresta amiga...

 António Nobre, in 'Só'

 

Encontro

 

Felicidade, agarrei-te

Como um cão, pelo cachaço!

E, contigo, em mar de azeite

Afoguei-me, passo a passo...

Dei à minha alma a preguiça

Que o meu corpo não tivera.

E foi, assim, que, submissa,

Vi chegar a Primavera...

Quem a colher que a arrecade

(Há, nela, um segredo lento...)

Ó frágil felicidade!

— Palavra que leva o vento,

E, depois, como se a ideia

De, nos dedos, a ter tido

Bastasse, por fim, larguei-a,

Sem ficar arrependido...

 

Pedro Homem de Mello, in "Eu Hei-de Voltar um Dia"

 

publicado por Alegria às 16:27
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Quarta-feira, 17 de Junho de 2015
Momento de Poesia

Bocage

 

Lusos Heróis, Cadáveres Cediços

 

Lusos heróis, cadáveres cediços,

Erguei-vos dentre o pó, sombras honradas,

Surgi, vinde exercer as mãos mirradas

Nestes vis, nestes cães, nestes mestiços.

 

Vinde salvar destes pardais castiços

As searas de arroz, por vós ganhadas;

Mas ah! Poupai-lhe as filhas delicadas,

Que. Elas culpa não têm, têm mil feitiços.

 

De pavor ante vós no chão se deite

Tanto fusco rajá, tanto nababo,

E as vossas ordens, trémulo, respeite.

 

Vão para as várzeas, leve-os o Diabo;

Andem como os avós, sem mais enfeite

Que o langotim, diámetro do rabo.

 

Bocage, in 'Rimas'

 

Nascemos para Amar

 

Nascemos para amar; a Humanidade

Vai, tarde ou cedo, aos laços da ternura.

Tu és doce atractivo, ó Formosura,

Que encanta, que seduz, que persuade.

 

Enleia-se por gosto a liberdade;

E depois que a paixão na alma se apura,

Alguns então lhe chamam desventura,

Chamam-lhe alguns então felicidade.

 

Qual se abisma nas lôbregas tristezas,

Qual em suaves júbilos discorre,

Com esperanças mil na ideia acesas.

 

Amor ou desfalece, ou pára, ou corre:

E, segundo as diversas naturezas,

Um porfia, este esquece, aquele morre.

 

Bocage, in 'Sonetos'

publicado por Alegria às 22:32
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Sexta-feira, 12 de Junho de 2015
Lendas da nossa terra

Lendas da Nossa Terra

 

A Senhora da Gaiola

A entrada de exércitos invasores num país traz consigo a depradação, o latrocinar mais violento. No caso da invasão dos mouros na Lusitânia terá sido muito pior, não só pelo roubo à mão armada, como pela incompatibilidade religiosa. Daí que em algumas terras de cristãos, os habitantes se vissem forçados a esconderem nos lugares mais recônditos da sanha dos infiéis as imagens que lhes eram mais queridas.

Foi o que sucedeu, segundo reza a lenda ou a tradição, com a imagem de Nossa Senhora, ali nas Cortes, a uma curta légua a sul de Leiria.

Um dia, em mui recuados tempos, uns pastores internaram-se, com seus rebanhos, mato a dentro, na direcção do sul, sempre mais e mais dentro de densas brenhas. E heis se não quando topam com uma linda imagem da Virgem Mãe de Jesus, iriante, encastoada num tronco de árvore.

Os pastores ajoelharam reverentemente e logo construíram uma cabana de ramos de árvores e mato para a entronizarem, cabana essa que mais parecia uma gaiola.

A notícia correu célere e trouxe à pequena choça as gentes das vizinhanças e, depois, a de lugares mais distantes, que à Santa Imagem começaram a chamar a Senhora da Gaiola, como ainda hoje é conhecida, venerada e festejada e já considerada Padroeira da freguesia das Cortes.

 

OS OLHOS DE ÁGUA DA CARANGUEJEIRA

Era uma vez ... andava um lavrador agarrado à rabiça do seu arado lavrando a terra que lhe havia de dar o pão. Ele era um bom homem, trabalhador , honrado e muito temente a Deus. Dia de sol tórrido que tudo abrasava e secava a língua das gentes e dos animais.

Os bois, puxando o arado numa andadura pachorrenta, estavam sedentos pois a lavra já se prolongava por várias horas. Para os dessedentar o lavrador, sequioso também, levou os bois a um charco que lá havia perto e já com pouca água, por a nascente haver secado.

Tanta era a sede e a pressa de a mitigar que o lavrador não desaparelhou o gado, e os bois na impaciência da sua secura, avançaram mais e mais, pelo charco até que, às tantas, perdendo o pé, começaram a desaparecer nas areias movediças.

O bom lavrador, impotente na sua infelicidade, nada podendo fazer para valer aos seus bois, que eram a sua riqueza, implorou a graça divina.

Mas tudo foi em vão. Os bois e o arado desapareceram sem deixar rasto.

Mais empobrecido de bens, mas mais rico de coragem, o lavrador empunha a enxada e com ela revolve a terra que já não pode arar.

Porém, alguns dias depois, não muitos, com estrema surpresa do lavrador, os bois, ainda aparelhados no seu arado, emergem de um outro charco, também de pouca água e não muito distante daquele.

Na sua passagem pelo interior da terra os bois desentupiram as nascentes dos dois charcos que, a partir daí, se transformaram em “Dois Olhos de Água”.

O povo da terra deu a um o nome de “Olho do Vale Sobreiro” e ao outro “Olho da Fonte”. E os charcos nunca mais secaram.

 

publicado por Alegria às 21:26
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Quarta-feira, 3 de Junho de 2015
Lendas da nossa terra

A Fonte da Barroquinha

Era uma vez ... em dia já muito recuado na lonjura dos tempos, em pleno verão escaldante, o rei passava com a sua corte ali junto a Maceira.

O rei sentia os ardores da sede.

Ao passar roçando uma rocha, o poderoso rei, sem poder parara para matar a grande sede que o atormentava, gritou em desespero e tom eivado de maldição, para os seus acompanhantes:

“Maldito cavalo que não escoicinha esta rocha até fazer água a fartar.”

Palavras não eram ditas e o cavalo real, como se tivesse compreendido a fala irada do seu dono, dá uma forte parelha de coices na rocha que fez estremecer céu e terra.

A escoicinhadela foi tão violenta que o rei teve de se amparar com a sua espada na rocha, no mesmo sitio onde o cavalo do rei escoiçara. Mas a espada, de fraca resistência, encontrou e furou a rocha, e, do furo aberto, jorrou água abundante e fresquinha que dessedentou o rei e toda a sua comitiva.

O povo vendo aquela fartura de água tão fresca, onde sempre tudo fora secura, começou a escavar na parte mais baixa da rocha e ali abriu uma pequena barroca, por onde começou o jorramento do precioso líquido refrescante, que nunca mais findou e ainda hoje continua correndo onde se levantou mais tarde, a chamada Fonte da Barroquinha.

 

publicado por Alegria às 21:59
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