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Sábado, 30 de Maio de 2015
Lendas da nossa terra

As Três Portas da Sé - Leiria

 

Era uma vez ... em tempos já muito antigos, vivia em Leiria um senhor muito rico e muito poderoso, e muito avarento, que não sabia como guardar as suas riquezas, os seus tesouros.

E passava ele dias e dias, noites e noites, a cogitar a maneira de os ladrões lhe não roubarem os seus tesouros.

Como fazer? Como não fazer?

Até que um dia se lembrou de abrir três longos túneis e ao fim de um deles colocar o muito ouro e a muita prata e as muitas pedras preciosas que tinha e que constituíam imenso tesouro, como até então nunca se vira.

E assim fez.

Mandou abrir três túneis subterrâneos, ali, no sopé do monte onde hoje está construído o castelo, e deixou as suas riquezas ao fim de um deles.

Seguidamente mandou-os tapar com três portas de alvenaria e fez constar que em uma delas estava o seu tesouro, mas em outro estava a fome e no terceiro a peste.

Assim criou um ambiente de medo de verdadeiro terror, que evitou que os ladrões lhe fossem roubar as suas imensas riquezas.

E o homem, rico e poderoso, passou a dormir descansado. As três portas ainda hoje se vêem no muro, ao pé da Sé de Leiria, e passaram a ser conhecidas por “As três portas da Sé.”

 

publicado por Alegria às 22:45
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Quarta-feira, 27 de Maio de 2015
Momento de Poesia

 

A Escola Portuguesa

 

Eis as crianças vermelhas

Na sua hedionda prisão:

Doirado enxame de abelhas!

O mestre-escola é o zangão.

 Em duros bancos de pinho

Senta-se a turba sonora

Dos corpos feitos de arminho,

Das almas feitas d'aurora.

 Soletram versos e prosas

Horríveis; contudo, ao lê-las

Daquelas bocas de rosas

Saem murmúrios de estrela.

 Contemplam de quando em quando,

E com inveja, Senhor!

As andorinhas passando

Do azul no livre esplendor.

 Oh, que existência doirada

Lá cima, no azul, na glória,

Sem cartilhas, sem tabuada,

Sem mestre e sem palmatória!

 E como os dias são longos

Nestas prisões sepulcrais!

Abrem a boca os ditongos,

E as cifras tristes dão ais!

 Desgraçadas toutinegras,

Que insuportáveis martírios!

João Félix co'as unhas negras,

Mostrando as vogais aos lírios!

 Como querem que despontem

Os frutos na escola aldeã,

Se o nome do mestre é — Ontem

E o do discíp'lo — Amanhã!

 Como é que há-de na campina

Surgir o trigal maduro,

Se é o Passado quem ensina

O b a ba ao Futuro!

 Entregar a um tarimbeiro

Um coração infantil!

Fazer o calvo Janeiro

Preceptor do loiro Abril!

 Barbaridade irrisória,

Estúpido despotismo!

Meter uma palmatória

Nas mãos dum anacronismo!

 A palmatória, o açoite,

A estupidez decretada!

A lei incumbindo a Noite

Da educação da Alvoradal

 Gravai na vossa lembrança

E meditai com horror,

Que o homem sai da criança

Como o fruto sai da flor.

 Da pequenina semente,

Que a escola régia destrói,

Pode fazer-se igualmente

Ou o assassino ou o herói.

 Desta escola a uma prisão

Vai um caminho agoireiro:

A escola produz o grão

De que a enxovia é o celeiro.

 Deixai ver o Sol doirado

À infância, eis o que eu vos peço.

Esta escola é um atentado,

Um roubo feito ao progresso.

 Vamos, arrancai a infância

Da lama deste paul;

Rasgai no muro Ignorância

Trezentas portas de azul!

 O professor asinino,

Segundo entre nós ele é,

Dum anjo extrai um cretino,

Dum cretino um chimpanzé.

 Empunhando as rijas férulas

Vós esmagais e partis

As crianças — essas pérolas

Na escola — esse almofariz.

 Isto escolas!... que índecência

Escolas, esta farsada!

São açougues de inocência,

São talhos d'anjos, mais nada.

 

Guerra Junqueiro, in 'A Musa em Férias'

publicado por Alegria às 21:06
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Terça-feira, 26 de Maio de 2015
Momento de Poesia

Divina Comédia

 

Erguendo os braços para o céu distante

E apostrofando os deuses invisíveis,

Os homens clamam: — «Deuses impassíveis,

A quem serve o destino triunfante,

 

Porque é que nos criastes?! Incessante

Corre o tempo e só gera, inestinguíveis,

Dor, pecado, ilusão, lutas horríveis,

N'um turbilhão cruel e delirante...

 

Pois não era melhor na paz clemente

Do nada e do que ainda não existe,

Ter ficado a dormir eternamente?

 

Porque é que para a dor nos evocastes?»

Mas os deuses, com voz inda mais triste,

Dizem: — «Homens! por que é que nos criastes?»

 

Antero de Quental, in "Sonetos"

publicado por Alegria às 21:52
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Sexta-feira, 22 de Maio de 2015
Momento de Poesia

Lisboa em Junho  

 

Junho, Foice em punho,

Diz o povo e com razão,

Os casamentos de Santo António

Com muito amor no coração.

 

Lisboa tem neste mês

Os seus dias para encantar,

Foliões com muita alegria

E musica para dançar.

 

Tem a sardinha assada a fumegar

E os manjericos nas janelas,

Tem o cheiro da “Folia”

Em todas as suas “Vielas”.

 

Há alegria pelos ares

Desta cidade namoradeira

Há danças e cantares

Por esta Lisboa inteira.

 

Tem as marchas na Avenida

Que para todos é tradição,

Tem os Santos Populares

Neste mês de sensação.

 

João Rodrigues

 

publicado por Alegria às 22:25
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Quarta-feira, 13 de Maio de 2015
Momento de Poesia

                                Dia de anos

                       Com que então caiu na asneira

                       De fazer na quinta-feira,

                       Vinte e seis anos! Que tolo!

                     Ainda se os desfizesse…

                       Mas fazê-los não parece

                       De quem tem muito miolo.

                     Não sei quem foi que me disse

                       Que fez a mesma tolice

                      Aqui o ano passado…

                     No que vem agora aposto,

                     Como lhe tomou o gosto,

                     Que faz o mesmo…Coitado!

                     Não faça tal: porque os anos

                     Que nos trazem? Desenganos

                     Que fazem a gente velho:

                     Faça outra coisa; que em suma…

                     Não fazer coisa nenhuma,

                     Também não lhe aconselho.

                     Mas anos, não caia nessa.

                   Olhe que a gente começa,

                   Às vezes por brincadeira

                   Mas depois, se se habitua

                   Já não tem vontade sua,

                   E fá-los, queira ou não queira.

 

                        João de Deus

 

publicado por Alegria às 21:50
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Segunda-feira, 11 de Maio de 2015
Momento de Poesia

 

 

 

 

   Solidariedade

 

Irmão.

Se caíste e a tua queda te levou a comer o pó,

Se procuras-te com teus olhos outros olhos

E ficas-te, como sempre, vazio e só;

Se naufragas-te lutando sem outra intenção,

Senão a de salvares os que vegetam na podridão,

Murmura comigo uma oração

E não chores, nem te envergonhes

Porque não serão as grades de uma cela

A desfazer a nossa fraterna união.

Embora fracassado, vencido, desiludido.

Luta, luta sempre até seres vencedor!

Eu e tu de mãos dadas com amor

Iremos sempre mais além,

Até as forças nos obedecerem.

À nossa volta, muitos rirão,

Mas que importa

Quando os nossos corpos de humano nada tiveram.

Talvez os tais que apregoavam de porta em porta

A nossa loucura...

Talvez então nos dêm razão.

publicado por Alegria às 22:12
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Sexta-feira, 8 de Maio de 2015
Momento de Poesia

Namorados da Cidade

 

Namorados de Lisboa

à beira-Tejo assentados

a dormir na Madragoa.

Namorados de Lisboa

num mirante deslumbrados

à beira-verde acordados

namorados de Lisboa!

 

Ao domingo uma cerveja

uma pevide salgada

uma boca que se beija

e que nos sabe a cereja

a miséria adocicada

à beira-parque plantada:

namorados de Lisboa!

 

Sempre sempre apaixonados

mesmo que a tristeza doa

namorados de Lisboa!

 

Namorados de Lisboa

na cadeira de um cinema

onde as mãos andam à toa

à procura de um poema.

Namorados de Lisboa

que o mistério não desvenda

até que o escuro se acenda.

 

Namorados de Lisboa

a apertar num vão de escada

o prazer que nos magoa

e depois não sabe a nada.

Namorados de Lisboa

a morar num vão de escada

namorados de Lisboa!

 

Sempre sempre apaixonados

Mesmo que a tristeza doa

namorados de Lisboa!

 

Ary dos Santos, in 'As Palavras das Cantigas'

publicado por Alegria às 19:07
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