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Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2015
Momento de Poesia

   A ESPERANÇA

 

No passado, uma saudade,

No presente, uma amargura,

E no futuro, uma esperança

De imaginária ventura

   Eis no que consiste a vida

Imposta por Deus ao homem.

Nisto se consomem dias!

Muitos anos se consomem!

 

Saudade é flor sem perfumes

Quando ainda verdejante,

Mas à medida que murcha,

Ai, que aroma inebriante!

   A amargura é duro espinho,

Que nas carnes penetrando,

Faz desesperar da vida,

Suas flores definhando.

A esperança é frouxa luz,

Que nas trevas nos fulgura;

Vendo-a, ousados caminhamos;

Mas, ai, que pouco dura.

Quantos mais passos andados

Na agra senda desta vida,

Mais amargo é o presente,

E a saudade mais sentida.

Mas a esperança não; os anos

Fazem-lhe perder o brilho;

Caem-lhe uma a uma as folhas

Da existência pelo trilho.

A velhice nada espera.

Nada da esperança lhe dura...

Mas não, cansada da vida,

Tem a paz da sepultura.

Tem a morada fulgente

Da inteligência Divina;

Tem as regiões sagradas,

Que eterno sol ilumina.

Bendito sejas, meu Deus!

Que nos dás na vida inteira,

A filha dos céus, a esperança,

Por suave companheira.

Ela nos enxuga o pranto,

O pranto ardente e amargoso;

Não a acusemos de pérfida,

Esperar... já é um gozo.

 

A mente, esperando, concebe,

Conceção sempre iludida,

Prazeres talvez entrevistos

Nas cenas duma outra vida.

Esperamos pois companheiros

Desta fadigosa viagem;

Se a esperança é imagem do gozo,

Adoremos essa imagem.

E cruzando este oceano

Com os olhos no porvir;

Esqueçamos no presente

Se horríssono bramir.

E quando enfim, já cansados,

Reclinarmos nossa fronte,

Que a esperança nos revele

Mais dilatado horizonte.

 

publicado por Alegria às 20:42
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Lendas da nossa terra

 

 

S, Jorge e o Dragão

 

O culto de S. Jorge foi introduzido em Portugal nos primórdios da nacionalidade, através dos cruzados ingleses que participaram na Reconquista. Entre alguns dos devotos deste Santo, que nasceu de uma ilustre família cristã de Capadócia (actual Turquia), estão D. João I e o Condestável Nuno Alvares Pereira.

 

Mestre-de-campo do imperador Diocleciano com apenas vinte anos, o valente S. Jorge insurgiu-se contra a injustiça da perseguição dos cristãos. Por esta razão, o imperador romano mandou-o torturar mas este escapou ileso à roda de pontas cortantes que lhe deveria dilacerar o corpo. Mas S. Jorge acabou por morrer decapitado nos finais do século III.

 

A história mais conhecida de S. Jorge tem a ver com a morte de um dragão terrível que existia em Silene, na Líbia. Os habitantes desta cidade ofereciam-lhe duas ovelhas por dia, para acalmar a sua fúria. Um dia, porém, o dragão tornou-se mais exigente e reclamou um sacrifício humano, cuja escolha aleatória recaiu sobre a filha única do rei da Líbia. Foi então que S. Jorge apareceu e se ofereceu para lutar com o dragão, libertando a cidade daquele terrível jugo. Montando a cavalo com a sua lança, feriu o dragão e, ordenando à princesa que tirasse o seu cinto e com ele amarrasse o pescoço do dragão, trouxe-o preso para a cidade. Aí chegados matou o dragão perante todos os habitantes, depois de exigir em troca a sua conversão ao cristianismo.

 

Mas os habitantes de S. Jorge, perto de Aljubarrota, reclamam uma outra versão da história do dragão passada na sua terra. Era então S. Jorge um oficial romano que estava aquartelado naquela região e tinha por costume mandar os seus soldados dar de beber aos cavalos na "Fonte dos Vales", no ribeiro da mata. Mas, no momento em que os cavalos bebiam surgia da fonte um dragão que os devorava. Os soldados, com medo de serem também mortos, recusavam-se a voltar à fonte. S. Jorge dirigiu-se à fonte, deu de beber ao seu cavalo e quando o dragão surgiu, matou-o com a sua lança. Por esta razão, foi construída uma capelinha naquele local onde foi colocada a imagem de S. Jorge a cavalo, dominando o temível dragão.

publicado por Alegria às 19:03
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Sábado, 14 de Fevereiro de 2015
Lendas da nossa terra

aljubarrota.jpg

 O Monstro de Aljubarrota

No dia 14 de Agosto de 1385 estavam os exércitos português e castelhano frente a frente, naquela que seria conhecida para sempre como a batalha de Aljubarrota. Eram cerca de 22 000 castelhanos contra 7 000 portugueses, mas, apesar da desproporção de forças, os espanhóis hesitavam em atacar, impressionados pela serenidade mística dos portugueses. Assim ficaram durante horas, mas por fim os castelhanos avançaram e a luta foi renhida, não conseguindo o invasor atingir a estratégica defesa portuguesa. Desesperados e tendo conhecimento da existência de uma grande fera nas imediações do terreno, os castelhanos decidiram procurar a besta infernal para que esta os auxiliasse. Neste grupo de busca encontrava-se um reputado bruxo castelhano que capturaria o monstro através das suas artes mágicas. Após ter sido hipnotizado pelo bruxo, o monstro concordou em ajudar os castelhanos. Colocado em frente do exército português, livrou-o o bruxo da sua influência para que pudesse recuperar o seu carácter violento e devorar os portugueses. O monstro temível avançou e começou a desfazer os soldados que estavam à sua frente, assustando até D. João I que se lembrou de invocar a ajuda do seu patrono S. Jorge e da Virgem Maria, com toda a fé que tinha. Segundo a lenda, S. Jorge desceu dos céus montado no seu cavalo e rodeado por uma bola de fogo, lançando-se com a sua lança sobre a terrível fera. Depois de vencer o monstro, S. Jorge virou-se contra o exército inimigo desbaratando as sua fileiras e ajudando os portugueses a alcançar a vitória. D. João I mandou edificar uma ermida onde foi colocada a imagem de S. Jorge montado no seu cavalo, matando o monstro com a sua lança.

 

publicado por Alegria às 17:12
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Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2015
Historietas

Frei-Joao-sem-cuidados-119x300.jpg

 

Frei João Sem Cuidados

 

  O rei ouvia sempre falar em Frei João Sem Cuidados como um homem que não se

afligia com coisa nenhuma deste mundo.

- Deixa estar, que eu é que te hei-de meter em trabalhos! pensou o rei.

- Mandou-o chamar à sua presença e disse-lhe:

- Vou dar-te uma adivinha e, se dentro de três dias não me souberes responder,

mando-te matar. Quero que me digas: Quanto pesa a Lua, quanta água há no mar

e o que é que eu penso?

- Frei João Sem Cuidados, saiu do palácio bastante atrapalhado, pensando na resposta

que havia de dar  àquelas perguntas. O seu moleiro encontrou-o no caminho e lá estranhou

de ver Frei João Sem Cuidados de cabeça baixa e macambúzio.

- Olá, senhor Frei João Sem Cuidados, então que é isso que o vejo tão triste?

- É que o rei diosse-me que me mandava matar se dentro de três dias eu não.lhe respondesse

a estas perguntas: - Quanto pesa a Lua? quanta água tem o mar?  O que ele pensa?

- O moleiro pôs-se a rir e disse-lhe que não tivesse cuidados; que lhe emprestasse o hábito de

frade, que ele iria disfarçado  e havia de dar boas respostas ao rei.

Passados os três dias, o moleiro, vestido de frade, foi pedir audiência ao rei.

- O rei então perguntou-lhe: - Então quanto pesa a Lua?

- Saberá Vossa Majestade que não pode pesar mais que um arrátel, porque todos dizem

que ela tem quatro quartos.

- É verdade, E agora quanta água tem o mar?  RTespondeu o moleiro:

- Isso é muito fácil de saber. Mas como Sua Majestade só quis saber da água do mar, é preciso

primeiro mandar fechar todos os rios, porque sem isso nada feito.

- O rei achou bem respondido, mas zangado por ver que Frei João Sem Cuidados se escapava

das dificuldades, tornou: - Agora se nou souberes o que eu penso, mando-te matar!

- O mioleiro respondeu:

- Ora Sua Majestade pensa que está a falar com o Frei João Sem Cuidados, e está mas é a falar com

o seu moleiro! Deixou caiar o hábito de frade, e o rei ficou pasmado com a sua esperteza.

 

publicado por Alegria às 16:04
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Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2015
Lendas da nossa terra

ARRUDA DOS VINHOS - Praça José Vaz Monteiro.

 Arruda dos Vinhos

 

O Gigante e os Lobisomens

 

  Era uma vez um gigante grande, grande, tão grande como devorador.

Foi há quantos anos que ele calcorreou as matas e os montes de Arruda dos Vinhos!

O gigante devorava toda a comida da região, sobretudo carne, catne dos animais,

roubando-os aos seus donos.Às vezes até comia as pessoas, Bois, vacas, cavalos, porcos,

galinhas, tudo, todos.

O gigante também era  muito rico e andava sempre com  o baú do seu tesouro debaixo do braço.

Conta o povo que até palitava os dentes com a rabiça dos arados! Porém, as pessoas,

desesperadas, juntaram-se e decidiram matar o gigante. E pensaram-no tão  bem que conseguiram!

Há, no entanto uma variante desta lenda que diz que o gigante desta lenda que diz que o gigante morreu

pela acção  de um raio quando se preparava para engolir uma velhinha. De qualquer modo, morreu.

Depois, apareceu à população outro problema: O que fazer com aquele cadáver tão grande?

Pois lá se resolveram a fazer um buraco enorme, e, cada pessoa ficou encarregada de levar um balde de terra

e deitar-lho por cima. E assim apareceu em Arruda dos Vinhos o monte que ainda hoje é conhecido

como a Cova do Gigante! Naturalmente, tamanho corpo enterrado a pouca profundidade, acabou

por provocar uma epidemia de peste em que morreu muita gente. Depois de enterrado, alguém se

lembrou de que nem depois de morto o gigante largava o baú do tesouro, mas a verdade é que ninguém

ainda se resolveu a ir cavar aquele formidável túmulo, não vá a peste voltar a espalhar-se.

Mas em Arruda dos Vinhos também se conta que lá havia lobisomens que saíam à noite de casa sob

a forma de burros, perus e outros animais.

Certa noite, uma mulher que desconfiava que o marido era lobisomem tentou curá-lo. E o mal curava-se

voltando do lado direito a roupa que o lobisomem despe e deixa do avesso para ir correr o fado.

Ele, feito um burro, já saíra de casa quando pressentiu que a mulher lhe virara a roupa. Quis voltar a

trás para atacar, no entanto ele fechara a porta.

Mas como tivera tempo para de pôr a roupa pelo direito, ela curou o marido, que de burro logo voltou

a ser homem, mas todo nú.

 E em burro também se transformava o último lobisomem de Arruda dos Vinhos. Todas as noites de lua cheia

ele galopava, percorrendo sete vilas castelhanas. Pois uma noite, certo sujeito que tinha a mulher doen

saiu para chamar um médico. Ia com pressa e aproveitou um burro que andava por ali. Para o prender,

atou-lhe o cinto das suas calças ao pescoço e lá foi tratar do que tinha a tratar. No fim, fugiu-lhe o burro.

Já na manhã seguinte, contpu a história do burro a um seu vizinho e este, sem comentários, devolveu-lhe

o cinto, denunciando-se. Na lua cheia seguinte, quando o lobisomem despia a roupa para se transformar

em burro, o amigo apareceu de repente. Deitou a mão à roupa do vizinho e virou-a para o lado direito,

salvando-o. Assim curou o vizinho e, desde então,  nunca mais houve noticia de lobisomens em Arruda dos Vinhos.

 

 

 

publicado por Alegria às 14:09
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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2015
Momento de Poesia

 

 

 

A Neve                                                                                                                                                 

Batem leve levemente                                                
Como quem chama por mim                                        
Será chuva? Será gente?                                            
Gente não é certamente                                            
E a chuva não bate assim                                               
 
É talvez a ventania;                                                
Mas há pouco, poucochinho,                                     
Nem uma agulha bulia                                              
Na quieta melancolia                                              
Dos pinheiros do caminho.                                    
 
Quem bate assim levemente                                  
Com tão estranha leveza,                                        
Que mal se ouve, mal se sente?                               
Não é chuva, nem é gente,                                  
Nem é vento, com certeza.                                  
                
Fui ver. A neve caía                                            
Do azul cinzento do Céu,                                
Branca e leve, branca e fria…                              
Há quanto tempo a não via!                                
E que saudade, Deus meu!                                           
                                                                           
Olho-a através da vidraça.                        
Pôs tudo da cor do linho.                                    
Passa gente e, quando passa,                              
Os passos imprime traça,                                   
Na brancura do caminho…                                
                                                                        
Fico olhando esses sinais                                
Da pobre gente que avança,
E noto, por entre os demais,
Os traços miniaturais                                          
De uns pezitos de criança…
 
E descalcinhos, doridos…
A neve deixa ainda vê-los,
Primeiro bem definidos,
…Depois em sulcos compridos,
Porque não podia erguê-los!...
 
Quem quem já é pecador
Sofra tormentos… enfim!
Mas as crianças, Senhor
Porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!
 
E uma infinita tristeza,
Uma funda turbação
Entra em mim e fica em mim presa.
Cai a neve na natureza…
…E cai neve no meu coração.
 
 
       Augusto Gil
 
 
Ser Soldado
 
       Batem leve levemente
       Na janela da caserna
Será chuva, será gente
Ou será o nosso Sargento
Que me anda na perna.
   Ah! Que bom este sonhar
Com o vento a embalar
E o luar de Janeiro
Na minha cama dormente
Agarrado ao travesseiro.
   Mas…aí vem o temporal
Ribomba o trovão lá fora
E eu sinto um empurrão tal
Que abro o olho direito
E disfarço com muito jeito.
   É o Sargento de Dia
Que sempre teve a mania
De me vir tirar do leito
E dizer com grande lata:
É malandro, está na hora
De descascar a batata.
   Triste vida a de um soldado
Mal fadado,
A quem não guardam respeito
Mesmo que tenha direito
De ser alérgico à batata.
 
 
     João Rodrigues - 1967

 


 

 

 

 

publicado por Alegria às 21:58
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Momento de Poesia

Rotunda do Marquês

 

Oh! Marquês de pombal

Se cá viesses outra vez;

Verias a confusão tal

Que se gerou em Portugal

Com a rotunda do Marquês.

 

 Marques de Pombal.JPG

 

A confusão era tamanha

A certas horas do dia,

Que a gente até apanha

Amor a tal façanha

E sente agora mais alegria.

 

Muita polémica causou

Este túnel da confusão,

Mas digo-vos até estou

Agora que por lá vou

Mais contente do coração.

 

Agora meus amigos

É circular com muita atenção

Para nunca poder causar

Quando por ali passar

Problemas na circulação.

 

publicado por Alegria às 21:31
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