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Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2015
Lendas da nossa terra

castro-verde1.jpg

Royal_Basilica_of_Castro_Verde-_Alentejo_-_Portuga

 

 

A Batalha de Ourique

 

Evamos até à Batalha de Ourique. que, conforme a lenda, teve lugar em

São Pedro das Cabeças, no concelho de Castro Verde. Foi uma batalha tão

importante para a consolidação da independência de Portugal, e no fim dela

D. Afonso Henriques seria aclamado rei pelos seus guerreiros. E não era caso

para menos, que o pequeno exército português teve cde confrontar-se com

as poderosas tropas de cinco reis mouros. E entre estes havia bons soldados,

com sobejas provas dadas em combates. A bravura de D. Afonso Henriques

tornara-se contagiante, mas a preocupação causava evidente tensão.

Então, na véspera da batalha, estavam todos preparados de um e de poutro lado.

D. Afonso adormecera na sua tenda, e aqui entra a lenda a contar que em sonho

lhe apareceu um velho que sobre ele fez o sinal da cruz, chamando-lhe o escolhido

de Deus para ganhar aquela batalha. Naquele momento, acordou e viu diante de

si o escudeiro a anunciar-lhe estar ali um velho que queria falar-lhe com urgência.

Espantado, o que não tardaria ser o primeiro rei português perguntou-lhe quem era.

Sem lhe responder, o velho disse que ao toque do sino Afonso se retirasse da tenda

e entrasse na ermida onde ele tocou o sino, e lá foi D. Afonso de espada e escudo.

À chegada, foi como se espreitasse  para dentro do Céu, pois viu Cristo rodeado

de anjos. E ouviu uma voz que lhe dizia estar garantida a vitória do dia seguinte,

bem como a coroa de Portugal.

E a batalha foi bem renhida, morreu  muita gente, mas tudo se cumpriu como

Cristo dissera. E Afonso mandou pôr no seu escudo cinco castelos,

cada qual por seu rei mouro vencido!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Alegria às 17:37
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Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2015
Lendas da nossa terra

Ourique_003.jpg

20074876.jpg

As moscas

 

A lenda conta como Nossa Senhora alterou uma antiga disposição da Natureza,

facando assim vingada pela  má educação de um vaqueiro alentejano.

É que antigamente as moscas não incomodavam as vacas, mas as ovelhas.

E andando a Senhora pelo mundo nos seus misteriosos itinerários, perdeu-se

em Castro Verde. Porém, passando por uma manada, viu um vaqueiro a dormir.

Não havendo outro que a pudesse ajudar, acordou-o. E pediu-lhe a informação

do caminho que deveria tomar. O vaqueiro, zangado, disse não ter vagar para a aturar,

que continuasse a andar até um pastor que seria capaz de a informar. E continuou

o seu sono. E lá foi Nossa semnhora até ao pastor, cujas ovelhas, incomodadas com

as moscas, não parava no seu esgotante trabalho de as reunir a uma sombra. Pastor

e cão estavam exaustos. Mesmo assim, o pastor ensinou a Senhora a encontrar o

caminho. Acompanhou-a um bocado, embora com a certeza de que no regresso

teria o rebanho disperso. Mas tal não aconteceu.. As ovelhas estavam à sombra,

mansas, aguardando o pastor.

Este contlou o ocorrido ao vaqueiro. Costumava encontrá-lo a dormir e viu-o numa

canseira atrás das vacas. Era o castigo de Nossa Senhora tornando as vacas

nas grandes vitimas das moscas!

 

 

 

publicado por Alegria às 18:38
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Lendas da nossa terra

200761116473546645.jpg

O Senhor de Matosinhos

 

 A milagrosa imagem do Senhor de Matosinhos é, segundo a tradição, das mais antigas

que se veneram em toda a cristandade.

Diz-se que esta imagem foi feita por Nicodemo, testemunha ocular das últimas horas

de Jesus, e que por esta razão é cópia fiel do rosto de Cristo.

Segundo a mesma tradição, Nicodemo teria esculpido mais quatro imagens, hoje

veneradas em vários locais do mundo, sendo a do Senhor de Matosinhos não só a

primeira mas também a mais perfeita.

Nicodemo assistiu aos tormentos de Jesus e, depois da morte na Cruz, auxiliou

José de Arimateia a descer o corpo. Juntos embalsamaram Cristo e depositáram-no

no túmulo.

José de Arimateia, teria recolhido o sangue de Jesus no Graal e Nicodemo os

instrumentos da Paixão, conservando em seu poder, por muito tempo, o sudário

em que ficou gravada a imagem de Jesus.

A imagem de Matosinhos é oca no tronco, porque, diz a tradição, aí escondeu

Nicodemo os instrumentos da Paixão.

Realmente os estudiosos da questão dizem que se reparar bem, as costas são

anteparadas de uma tela fina que se confunde com a matéria de que é feita a imagem,

tela esta tão bem preparada que tem resistido à corrupção dos tempos.

O mesmo material forma a toalha com que foi envolvido o corpo da imagem.

A toalha, que desce da cintura cobrindo a perna direita até ao joelho e a esquerda até à canela,

está tãoligada ao corpo que parece ter sido esculpida na mesma madeira daquele.

Nicodemo sobreviveu a Cristo muitos anos e sabe-se ter sido perseguidos poelos judeus,

que, em determinada altura, lhe confiscaram todos os bens. As perseguições aos

cristãos de então correspondiam a igual perseguição às imagens e objectos por eles

considerados sagrados.

Por isso muitas foram escondidas em subterrâneos ou simplesmente atiradas ao mar

para se salvarem das fogueiras a que estavam votadas.

Conta-se então que, tendo Nicodemo feito aquela a que depois se chamou Senhor de

Matosinhos, a atirou à àgua para a livrar de perseguições. Desceu ao porto de Job, que

fica nas costas da Judeia, no Mediterrâneo, e lançou-a ao mar. A imagem atravessou-o

de nascente a poente, passou o estreito de Gibraltar e, já no Atlântico, rumou para norte,

aportando por fim à praia de Matosinhos.

Nesrta viagem, porém, a imagem de Cristo, perdeu um braço. As populações, que então

lhe eregiram, em Bouças, um templo, pouco se importaram com o pormenor e passaram

a venerá-la sob a designação de Nosso Senhor das Bouças, pois desde logo lhe

foram imputados vários milagres. Durante cerca de cinquenta anos, a bela imagem de

Cristo agonizante na Cruz, com um olho meio aberto sobre a humanidade e o outro

fitando o Céu, apelando a Seu Pai a salvação do Mundo, foi venerada sem o braço.

Diz-se, porém, que andava um dia na praia de Matosinhos uma mulherzinha a apanhar

destroços trazidos pelo mar, para alimentar o seu lume, e viu um objecto que lhe pareceu

óptimo para o efeito. Pegou nele, meteu-o no cabaz juntamente com outros bocados

de madeira e voltou para casa.

Chegada a casa, ateou a lareira e deitou-lhe dentro o que lhe parecia um bocado de lenha.

Mas o cavaco saltou para fora do lume. Insistiu a mulher e, tantas vezes quantas ela

ali o deitou, o bocado saltava para fora.

Esta mulherzinha tinha uma filha que lhe nascera muda, segundo conta a lenda.

Olhando para a criança, que fazia gestos aflitivos e abria a boca como quem quer

forçosamente dizer qualquer coisa, a mulher, assombrada, ouviu-a dizer:

- Ó minha mãe, não teime em deitar isso ao lume!

Olhe que é o braço do Nosso senhor das Bouças!

Atónita e amedrontada, por ouvir assim falar a filha, que nunca dissera uma palavra,

e por ver a acha saltando da lareira, a mulher saiu de casa gritando qjue lhe acudissem.

Vieram as vizinhas, às quais ela contou o que se passara, e, pegando respeitosamente

no destroço achado na praia, foram à igreja vewr se o que a rapariga dissera era verdade.

E, ante o assombro de todos, o braço ficou tão ajustado à imagem que nunca mais ninguém

pôde saber qual deles alguma vez lhe faltara.

Assim acaba a lenda do Senhor de Matosinhos, primeiramente chamado Nosso Senhor

das Bouças. No século XVI a imagem feita por Nicodemo foi mudada para Matosinhos,

onde lhe construiram um templo maior e mais imponente, apropriado às enormes romarias

 que há séculos lhe fazem e de tamanho mais condigno às ofertas que lhe trazem  em

agradecimento das graças concedidas.

publicado por Alegria às 11:02
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Sábado, 21 de Fevereiro de 2015
Momento de Poesia

Eça de Queiros.gif

 

A Vitalidade de uma Nação

Uma nação vive, próspera, é respeitada, não pelo seu corpo diplomático, não pelo seu aparato de secretarias, não pelas recepções oficiais, não pelos banquetes cerimoniosos de camarilhas: isto nada vale, nada constrói, nada sustenta; isto faz reduzir as comendas e assoalhar o pano das fardas - mais nada. Uma nação vale pelos seus sábios, pelas suas escolas, pelos seus génios, pela sua literatura, pelos seus exploradores científicos, pelos seus artistas. Hoje, a superioridade é de quem mais pensa; antigamente era de quem mais podia: ensaiavam-se então os músculos como já se ensaiam as ideias.

Eça de Queirós, in 'Distrito de Évora'

 

publicado por Alegria às 21:27
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Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2015
Momento de Poesia

 

 

 As Rosas

Rosas que desabrochais,

Como os primeiros amores,

Aos suaves resplendores

       Matinais;

Em vão ostentais, em vão,

A vossa graça suprema;

De pouco vale; é o diadema

       Da ilusão.

Em vão encheis de aroma o ar da tarde;

Em vão abris o seio úmido e fresco

Do sol nascente aos beijos amorosos;

Em vão ornais a fronte à meiga virgem;

Em vão, como penhor de puro afeto,

           Como um elo das almas,

Passais do seio amante ao seio amante;

           Lá bate a hora infausta

Em que é força morrer; as folhas lindas

Perdem o viço da manhã primeira,

           As graças e o perfume.

Rosas que sois então? – Restos perdidos,

Folhas mortas que o tempo esquece, e espalha

Brisa do inverno ou mão indiferente.

          Tal é o vosso destino,

Ó filhas da natureza;

Em que vos pese à beleza,

           Pereceis;

Mas, não... Se a mão de um poeta

Vos cultiva agora, ó rosas,

Mais vivas, mais jubilosas,

           Floresceis.

 Machado de Assis, in 'Crisálidas'

publicado por Alegria às 20:45
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Politica de Interesses
Politica de Interesses

Eça de Queiroz.jpg

 

Política de Interesse:
 
Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações. A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse. A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos; há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio. A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva. À escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (...) todos querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos, ávidos de consideração e de dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade.
 
Eça de Queiroz, in 'Distrito de Évora (1867)
publicado por Alegria às 18:35
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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2015
Lendas da nossa terra

Foto Burro com lenha.jpg

 

O morto que falou

 

Conta a lenda que certa vez, ao fundo do sítio chamado Reboludo,

em Pampilhosa da Serra, estava um homem a cortar uma pernada

de um castanheiro. Porém, em vez de se sentar onde devia,

empoleirou-se, isso sim, na parte que havia de cair.

E serrava, serrava. A dada altura, passou por alí um almocreve

que se dirigia para Fajão. Viu o que estava para acontecer e logo se

dirigiu ao serrador:

- Boa tarde, o senhor vai desculpar-me, mas está sentado na parte

da pernada que vai cair ao chão...

O serrador, olhou-o irritado, e respondeu-lhe:

- Olhe lá, meta-se na sua vida! Eu sei muito bem o que estou a fazer!

Irritado, com a má recepção da sua sensata observação, o almocreve

ripostou:

- Ai! ele é isso? Pois passe muito bem!

E foi-se embora. Naturalmente, o serrador, acabou de cortar a pernada

e veio por ali abaixo, dando com o corpo no chão. E pensou que,

se o outro advinhara, o que se iria passar, deveria ser santo.

Largou então a correr atrás do almocreve, apanhando-o à entrada de uma ponte.

- Ouça lá, bom amigo, já que adivinhou tudo também, diga-me lá

quando é que vou morrer.

- Bem, - respondeu o almocreve, admirado de tanta ingenuidade

- o senhor carregue o seu burro de madeira e vá andando com ele até Fajão.

Quando ele der o terceiro traque, o senhor morre!

O homem serrou mais madeira, carregou o burro e lá foi conduzindo a

caminho de Fajão. Daí a nada, o burro, experimentzndo uma passada

sobre umas pedras soltas, deu um traque.

- Mau - exclamou o homem. - O primeiro já saiu!

Não tardou que o burro, de novo em apuros devido ao carrego, lá deixou

escapar outro.- Oh, diabo! Isto agora é a sério! Já só me falta um!

Tewho de tomar providências! O homem agarrou um bocado de cortiça

fez uma rolha e meteu-a no rabo do burro. Conseguiria suster o terceiro traque?

Porém ao entrar na calçada do Reboludo, o burro, aflito, largou gás e o rolha e

a rolha foi bater na testa do homem, que abriu os braços e deixou-se cair,

considerando-se morto.

As gentes de Fajão, vendo o burro chegar à aldeia, foram procurar o dono e

encontraram-no estendido.

O barbeiro verificou o óbito. Meteram o corpo num caixão e quiseram fazer-lhe o funeral.

Iam em cortejo, já com orações e cantilenas, quando chegaram ao sítio das Almas,

onde o caminho se bifurca; um atravessa a aldeia, e o outro vai direito ao cemitério.

Discutiram o itinerário, a ponto de alguém dizer, que fosse o morto a decidir.

Então, o homem sentou-se no esquife e disse:

- Quando eu era vivo, costumava ir por alí, agora que estou morto,vão lá vocês.

E tornou a deitar-se. E os do funeral levaram-no por onde entenderam que ele disse que

ia em vida.

 

publicado por Alegria às 18:33
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